É algo tão espontâneo quanto seu urro de dor, ao quebrar um osso, entretanto é tão surpreendentemente alegre quanto as gordas e molhadas lágrimas, marejando seus olhos, quando você reencontra um amigo há muito não visto. Seu coração retumba fortemente, disparando numa velocidade incrível, num arranque mais potente que o dos corredores de 100 metros rasos. É algo pelo qual todos a sua volta também esperam, anseiam, e todos sabemos isso. Quando acontece (e você não tem o mínimo poder de decidir, nem mesmo prever o momento em que acontecerá), você simplesmente não consegue se controlar, você fica cego, extasiado, não dá ouvidos a nada que te falam, não liga para o que os outros pensarão de suas inusitadas reações, você apenas quer expressar seus sinceros e nobres sentimentos de felicidade e alegria para o mundo inteiro, assim como todos que passam por essa experiência.
Conheço muitos, amigos, conhecidos, familiares, que realmente se importam com isso, e fazem disso grande parte de suas vidas. Eu sou um desses apaixonados. Não obstante, existem alguns que parecem não se afetar nem um pouco, alguns por estarem muito ocupados com suas carreiras profissionais, ou então por colocarem os seus trabalhos acima de todas as coisas, assim concluindo que não têm tempo para ir atrás disso. Eu desprezo esses tipos tão ambiciosos e centrados em si mesmos. Temos também outra categoria, aquela de pessoas que tem seus corações feitos de pedra, aquelas pessoas extremamente estáticas e tediosas, que não se comovem com nada, e que nunca, repito, nunca, enfatizo, JAMAIS terão o incomparável prazer de sentir como isso é bom, nem mesmo uma vez sequer. Eu não consigo entender como é que podem ser tão indiferentes a algo assim tão grande, tão forte, uma vez que eu próprio lhe sou tão sensível.
Pode acontecer de uma hora pra outra, e quando você se dá conta, você já é um escravo, você está cercado por tal sentimento, e todos seus outros sentidos vacilam. É um sentimento tão maravilhoso, e você não consegue dizer como começou, você está tão maravilhado apenas com o fato de que aconteceu pra valer, que não dá a mínima para “como” aconteceu. Enquanto você está passando por tal sensação, parece que todos ao seu redor estão sentindo a mesma coisa, e todos vocês regozijam em sua glória. Você se sente leve, flutuando por um céu estrelado, e todos os seus piores problemas parecem não ter mais a mínima importância, você não quer mais nada, somente que esse sentimento perdure pra sempre, ou então pelo menos por mais alguns minutos. Tudo está perfeito. Mas então, vem o outro time, e marca um golzinho nos acréscimos, com menos de um minuto pro apito final. Você fica devastado, boquiaberto, sem palavras, não consegue organizar em pensamentos coesos quão injusto é o futebol, apenas essa vulcânica mistura de raiva e ódio explodindo dentro de você. Fim de jogo. O juiz ‘errrrrrrrrrgue o braço’, e você consegue sentir em sua boca o gosto pútrido e acre de um empate em casa. Você deixa sua cabeça cair, blasfema contra si mesmo por dar tanta importância à uma coisa besta dessas, e tenta, em vão, não pensar mais nisso, uma vez que todos seus pensamentos vão acabar retornando a esse maldito jogo. E assim que chegar a próxima rodada, você vai se importar ainda mais. Esses são os arrasadores sentimentos aos quais um singelo gol, a favor ou contra, podem te expor.

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